MANIFESTO
Voltamos. É isso mesmo: voltamos.
Por Carol Govari
Publicado em 13/05/2026 14:57 • Atualizado 14/05/2026 17:49
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Sete anos fora do ar não parecem acaso quando se pensa no peso simbólico que o número sete carrega atravessando religiões, superstições, discos clássicos e narrativas de transformação: sete dias para criar o mundo, sete notas musicais organizando acordes e melodias, sete anos associados a ciclos de ruptura e reinvenção. Existe alguma coisa de ritualístico, até, nesse intervalo: é como se a Rádio Unisinos tivesse precisado desaparecer por tempo suficiente para entender o que significaria voltar em um mundo diferente daquele que deixou pra trás: um mundo mais acelerado, mais saturado de informação e paradoxalmente mais vazio de escuta. Depois de sete anos em silêncio, retornar deixa de ser apenas uma reativação institucional e passa a carregar algo de reencontro, insistência e resiliência cultural.

 

Pode parecer estranho voltar com uma rádio em pleno 2026, na era das plataformas e dos algoritmos automatizados, mas a verdade é que a gente gosta mesmo é da curadoria humana – dos encontros, dos comentários, dos “ouvi-tua-música-na-rádio”,  “quem-é-que-faz-aquele-programa?”; da sensação de descobrir uma música porque alguém acreditou nela, da dedicação de pensar a sequência de uma programação, e de criar clima, memória e companhia para quem tá ouvindo do outro lado.

 

Sete anos depois, nós voltamos porque ainda acreditamos que música não é trilha sonora de algoritmo nem simples produto para playlist de produtividade. Voltamos porque acreditamos que a cultura ainda pode escapar do engajamento vazio, da pasteurização estética e da falsa ideia de neutralidade das plataformas. Nesse contexto, insistir em uma rádio universitária dedicada à escuta atenta e ativa também é um gesto político. A gente continua interessado no ruído, na margem, nos discos que não cabem nas métricas do streaming, nas cenas locais que lutam, se reinventam e sobrevivem, nos artistas que produzem linguagem (antes de produzir conteúdo) e na possibilidade de fazer comunicação sem transformar a música em trilha descartável para consumo acelerado.

 

A Rádio Unisinos renasce online, híbrida, atravessada pela universidade, pela rua, pelos estúdios improvisados, pelos festivais acadêmicos e independentes, pelas conversas nos bastidores e pela convicção de que rádio ainda pode ser espaço de formação cultural, encontro e disputa simbólica. Como nesse histórico de 30 anos de cultura e resistência, continuamos não querendo uma programação domesticada por fórmulas de mercado nem uma comunicação asséptica desconectada da vida real; queremos entrevistas que não são estruturadas somente por um release, programas que tratem a música como experiência social e estética, vozes femininas ocupando integralmente a programação como resposta concreta a uma indústria historicamente desigual, e estudantes entendendo que cultura também se faz na prática, no erro, na experimentação e na circulação coletiva de ideias.

 

Voltamos como um laboratório, arquivo vivo e plataforma de invenção cultural, tentando (re)construir um espaço onde ainda seja possível ouvir algo que não venha pronto.

 

Vem com a gente?

 

 

 

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